"Parece mente fraca, vive ali quieta, sozinha, isolada no seu próprio mundo. Costuma sonhar, desligar-se das pessoas e dessa realidade tão banal. Parece egoísta e mesquinha, e talvez seja, por dividir-se apenas consigo mesma. Aprendeu que doar-se demais as pessoas causa efeitos colaterais. Enquanto todos dormem, no meio da noite, fica ali perdendo-se em seus pensamentos insanos sobre o amor. Tão clichê. Tão inocente. Parou no tempo em que via casais felizes, e sonhava em ter um futuro igualzinho para si. Agora mais do que qualquer coisa possui um véu, uma máscara, ou talvez uma armadura [chame como quiser], pois no fundo gosta mesmo é de sentir-se segura, protegida. Não quer surpresas, não quer perder o controle de suas emoções. Frágil demais, inocente demais, leva a vida com a tola ingenuidade de uma criança [embora não tão feliz quanto uma]. Carrega na bolsa um turbilhão de sentimentos e lembranças, que servem para lembrá-la que a vida não é tão doce, e que o mais simples deslize pode ferir profundamente. Isso explica a armadura. Partiu seu coração algumas vezes, e superou-se, e reergueu-se, e disse que aquilo não aconteceria novamente. Mentir para si era algo quase corriqueiro, mentir para os outros havia se tornado normal. Cansou de machucar-se, mas, embora não admita, nunca deixou de acreditar. Por isso sonhava. Sonhar não doía. Entregava-se e machucava-se fácil demais, e no final das contas, tantos tropeços e amores frustados serviram para que engolisse seu próprio coração, e começasse a se amar por dentro." (yourcocaine)